quarta-feira, 23 de julho de 2014

SALA DE APOIO COM AGENDA LOTADA! ATIVIDADES DA CAMPANHA SALARIAL 2014 POR TODO ESTADO!

Mês de julho bastante agitado para a sala de apoio da CNTA.
Várias atividades tem monopolizado a presença do coordenador político da sala de apoio, Darci Pires da Rocha, juntamente com diversas lideranças dos trabalhadores nas indústrias da alimentação do Rio Grande do Sul.

Apesar de toda dificuldade de uma campanha salarial em 2014 marcada por um balisamento bastante prematuro de uma negociação, no mínimo precipitada, a qual não contou com a participação da confederação e nem de suas entidades filiadas, com luta e muito esforço a CNTA e os sindicatos do Rio Grande do Sul demonstraram unidade para conseguir avanços bastante positivos para os trabalhadores das indústrias da alimentação.


Por isso, depois de um esforço exaustivo que levou os trabalhadores de Bom Retiro do Sul a uma greve que contou com o apoio de várias lideranças sindicais do estado, os negociadores ligados a sala de apoio conseguiram êxito na negociação com a empresa JBS, tanto para Bom Retiro, quanto para Passo Fundo.


Da mesma forma, ao lado do STIA de Ijuí, a sala de apoio debateu com os trabalhadores de Miraguaí da empresa Mais Frango uma proposta do acordo salarial 2014/2015, que foi aprovada.
Realmente os sindicatos de trabalhadores nas indústrias da alimentação filiados a CNTA tem demonstrado uma força, graças a sua unidade, que tem sido fundamental para garantir avanços ou mesmo a manutenção de direitos pré-existentes, o que só comprova a importância da presença de uma Confederação cuja política determinada por seu presidente, Artur Bueno de Camargo e sua diretoria é de total intransigência em defesa dos interesses da classe trabalhadora.
Parabéns a todas as lideranças sindicais que muito tem contribuído para o êxito desse trabalho!
Por: Luiz Araújo

sexta-feira, 18 de julho de 2014

CNTA PARTICIPA DE AÇÃO QUE RESULTA EM ACORDO INÉDITO DE REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO NO FRIGORÍFICO BRF NA CIDADE DE MARAU!


De acordo com o setor de comunicação e divulgação do MPT - Ministério Público do Trabalho da 4ª Região, a força tarefa constituída, além do MPT, pelo MTE - Ministério do Trabalho e Emprego e pela CNTA - Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins, estabeleceu um acordo inédito com a empresa BRF, unidade industrial da cidade de Marau - RS para redução do ritmo de trabalho na sua linha de produção.
foto: site mpt 4ª região
Conforme nota divulgada, a empresa assumiu o compromisso de obedecer um limite de abates por minuto, de contratar maior número de trabalhadores para o setor de descarga, pendura e esviceração, bem como adequar o deslocamento de cargas em vários setores da empresa.
foto: site mpt 4ª região
A força tarefa é um esforço conjunto das entidades oficiais e da CNTA que visa a fiscalização de unidades industriais de abates de animais, visando o cumprimento da NR 36, norma regulamentadora de condições de trabalho adequadas a garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores.
A cada unidade industrial fiscalizada, são convidados também os dirigentes sindicais dos sindicatos de trabalhadores da alimentação da localidade fiscalizada, afim de poderem acompanhar e ajudar na identificação dos problemas.
Esse trabalho que conta com a participação de auditores fiscais do MPT do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e fiscais do MTE gaúcho, conta com a participação da fisioterapeuta Carine Benedet e de Darci Pires da Rocha, representantes da CNTA.
Por Luiz Araújo

quinta-feira, 26 de junho de 2014

CAMPANHA SALARIAL DA ALIMENTAÇÃO EM BAGÉ!

PRIMEIRA RODADA PARA SETORES DA PADARIAS, ENGENHOS, LATICÍNIOS E PEQUENOS FRIGORÍFICOS TERMINA SEM ACORDO!

No último dia 24 houve a primeira reunião entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bagé e Região (STIA) com representantes do sindicato patronal em relação ao Dissídio Coletivo/2014 para os setores de padarias, engenhos, indústria de laticínios, frigoríficos (exceto Pampeano e Marfrig/Bagé) e outros.  
O tema principal foi o reajuste de salários, já que a data-base da categoria é 1º de junho. 
Os trabalhadores pedem um reajuste salarial na faixa de 13% nos salários e um piso salarial de R$ 1.200,00. As empresas ofereceram 7% de reajuste geral para os salários e no piso salarial. 

O vice-presidente do STIA/Bagé, Cláudio Gomes Gonçalves, ressalta que no momento de os empregadores reajustarem os salários, apresentam alegações como excesso de carga tributária, que a economia global está em baixa, que os salários estão altos e que as empresas estão fechando.

Nosso contraponto é que se empresas fecham não é pelo salários pagos ao trabalhador, mas sim por outras razões, pondera Gonçalves. 
Uma nova reunião ficou agendada para o dia 1º de julho. "Esperamos que a classe patronal avance, principalmente nos percentuais de reajuste, e valorize a sua mão de obra", assinala o vice-presidente. 
Por: Emanuel Muller

terça-feira, 24 de junho de 2014

80 ANOS DE HISTÓRIA EM DEFESA DA CLASSE TRABALHADORA!

STIA Bagé comemora 80 anos relembrando conquistas dos trabalhadores!

Neste dia 24 de junho, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bagé e Região completa 80 anos de história. Em 1934, durante a  primeira "Era Vargas", quando trabalhadores de todo o Brasil discutiam a necessidade de criar uma legislação que defendesse empregados nas relações com os patrões, um grupo de funcionários de empresas que atuavam junto ao setor da alimentação definiu a criação de uma entidade que defendesse os interesses da categoria. Surgiu aí o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bagé, em 1934. 
        Após alguns anos de fundação da entidade, ocorreu uma fusão com o  Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados de Bagé. A intenção foi fortalecer a classe trabalhadora, pois ambos os sindicatos representavam trabalhadores de indústrias no ramo de alimentos - padarias, engenhos de arroz, lacticínios, frigoríficos, fumo, bebidas, embutidos, congelados (fábrica de picolés e sorvetes) e fábrica de café.  A nova Carta Sindical datada de 30 de dezembro de 1976 estabeleceu o nome da primeira entidade, ficando o nome de Sindicto dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bagé por ser o mais antigo.
Evolução
       

Com o passar dos anos o Sindicato cresceu e passou a reivindicar melhorias para os trabalhadores. "Com muita luta, conseguimos incluir nos acordos e dissídios coletivos itens como quinquênios e salários profissionais", conta o presidente do STIA/Bagé, Luiz Carlos Cabral. Outros benefícios surgem ao longo do tempo, como o pagamento de auxílios Creche, Escolar e Funeral; Insalubridade, Adicional de Câmaras Frias (15%), salário para os faqueiros,  pagamento de horas extras nos domingos, feriados ou dias já compensados com 100%, adicional de faca, cesta básica, ambulância para condução de acidentados e transporte gratuito para os trabalhadores.
       
Em 27 de março de 1980 o Sindicato inaugurou sua sede social própria, na Rua Melanié Granier, 157, onde presta atendimento médico e odontológico aos associados e seus dependentes, bem como conta com um salão para a realização das assembleias, palestras, conferências, além da utilização para eventos de interesse dos próprios associados. Em 6 de novembro de 1997, a entidade inaugurou o ginásio poliesportivo, na Avenida São Judas Tadeu, 853, uma estrutura com salão de eventos no andar térreo e superior, churrasqueiras, além de toda a condição para a prática esportiva.  O local leve o nome do  ex-presidente Delmar Fagundes Dias
A estrutura atual
Em 2013 o Sindicato reativou sua subsede no município de Hulha Negra, visando proporcionar aos trabalhadores daquele município a assistência oferecida na sede social de Bagé, com a vantagem de evitar o deslocamento dos associados e seus dependentes. Embora funcionando em um local provisório, a entidade agora busca a construção de uma subsede em local adquirido pelo Sindicato, proporcionando mais conforto e a oferta de serviços a centenas de trabalhadores hulhanegrenses. 
Da mesma forma, a sede social passa por melhorias constantes, com intuito de oferecer aos associados melhorias na estrutura de assistência médica, odontológica, além de convênios com diferentes empresas e um local onde o trabalhador pode se sentir em casa com aquilo que é oferecido pela entidade. 
        "Todos os trabalhadores do setor da alimentação estão de parabéns. A atuação do Sindicato é para o associado e seus dependentes, buscando não apenas as melhores condições salariais e uma boa estrutura no ambiente de trabalho, mas proporcionando atendimento, prestando serviços e buscando uma sociedade melhor", ressalta Cabral. 
Por: Emanuel Müller Jornalista MTE 9810

segunda-feira, 16 de junho de 2014

CAMPANHA SALARIAL 2014!

Rodada de negociação com a empresa Marfrig acontece em São Gabriel!


Após duas reuniões realizadas em Bagé e Alegrete, sem conseguir chegar a um acordo, está sendo realizada neste momento em São Gabriel, na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação local, a 3ª reunião de negociação entre os representantes dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Alegrete, Bagé e São Gabriel, além do coordenador político da sala de apoio da CNTA - Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins, Darci Pires da Rocha, com os representantes da empresa Marfrig para negociação do acordo coletivo 2014/2015.
A pedida deixada em mesa na última reunião, por parte dos trabalhadores foi: reajuste de 13%, Piso Normativo Único de R$ 980,00, salário de R$ 1.050,00 para os faqueiros das unidades Alegrete, Bagé e São Gabriel. Também foram propostos o acréscimo de três quilos de charque na Cesta Básica para o Pampeano e São Gabriel, reajuste para R$ 220,00 no cartão Visa VAle para as unidades de Bagé e Alegrete.
Também estão na pauta de reivindicações a indenização do trigésimo dia do mês aos trabalhadores mensalistas como forma de indenização a cinco dias por ano; quinquênio no valor de 5% a cada cinco anos de serviço na empresa; retorno ao benefício - onde a empresa se obriga a pagar os salários e demais benefícios ao trabalhador sempre que este receber alta do INSS e não for aceito pelo departamento medico da empresa, até que o INSS venha a integrá-lo; registro do ponto conforme estabelece a legislação; adicional sobre funções diversas no valor de 50%.; redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais; recomposições salariais na rescisão – da inflação ocorrida entre a data base e o desligamento do empregado; atendimento médico à gestante - com custeio integral dos exames específicos a gestante, tais como o câncer de mama, do colo de útero e outros relevantes a do critério medico; auxílio-creche no valor de 30% sobre o salario base; Plano Hospitalar aos trabalhadores e seus dependentes, além da manutenção das demais cláusulas existentes e dos itens já acordados.
Por: Marcos Rosse.

TRABALHO DA FORÇA TAREFA!

Zero Hora 13.06.2014
Jornal do Comércio 13.06.2014
Correio do Povo 14.06.2014

Interdição Parcial da Agrosul é destaque na mídia!

Correio do Povo 13.06.2014

Por: Luiz Araújo

sexta-feira, 13 de junho de 2014

RISCO IMINENTE LEVA A INTERDIÇÃO NO CAÍ!

FORÇA TAREFA, COM PARTICIPAÇÃO DA CNTA, INTERDITA SETORES DA AGROSUL!
O frigorífico Agrosul Agroavícola Industrial S. A., de São Sebastião do Caí (município da região Metropolitana de Porto Alegre localizado a 60 km da Capital), foi obrigado, nesta quinta-feira (12/6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a, imediatamente, paralisar máquinas e atividades da empresa. A decisão é baseada nos termos do artigo 161 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Foi constatada situação de grave e iminente risco à saúde e à integridade física dos trabalhadores. A interdição da indústria que abate 76 mil frangos/dia é resultado da quarta força-tarefa estadual de 2014 relativa a "Meio Ambiente de Trabalho em Frigoríficos Avícolas", realizada de terça a quinta-feira (10 a 12/6). A diligência foi organizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo MTE, com apoio do movimento sindical dos trabalhadores, do Cerest e do CREA. Durante a interdição, os 1.283 empregados da planta devem receber seus salários como se estivessem em efetivo exercício, nos termos do parágrafo 6º do artigo 161 da CLT. O cronograma de inspeções das forças-tarefas seguirá até o final do ano, com ações mensais. Em 2015, será a vez dos frigoríficos bovinos receberem a força-tarefa.
    
Com fundamento nos dispositivos legais pelas constatações in loco, ficou determinada a interdição de todos os trabalhos das seguintes máquinas e atividades: a) uma máquina torno mecânico da marca Nardini 300 IV e uma máquina esmeril sem identificação, localizados na Sala de Manutenção; b) atividades de movimentação manual de cargas dos setores de paletização do setor de expedição (paletização e entrada do túnel de congelamento) e atividade de descarga do veículo no setor de plataforma; c) atividades de embalar frango com a utilização de funis e atividade de “bater produto” do setor de embalagem secundária; d) trabalho na torre de gelo; e) atividade de abastecer a fornalha da fábrica de farinha. O MTE também embargou a obra do escritório de expedição e determinou a imediata paralisação do andaime tubular simplesmente apoiado, das instalações elétricas provisórias, das duas betoneiras e da serra circular. A documentação foi recebida pelos diretores industrial Cesar Luiz Assmann e administrativo Milton Bach em reunião da força-tarefa com a empresa no final da manhã de 12 de junho.
    As primeiras três forças-tarefas foram realizadas nas semanas de 21 de janeiro, de 18 de fevereiro e 23 de abril, respectivamente nas unidades da Companhia Minuano de Alimentos (Passo Fundo), da JBS Aves Ltda. (Montenegro) e da BRF S.A. (Lajeado). Todas ações resultaram em interdições. Como consequência, foi diminuído o excessivo ritmo de trabalho exigido pelas plantas da JBS e da BRF - dois dos maiores frigoríficos do mundo - que haviam recebido as primeiras interdições ergonômicas na história brasileira. As condições antiergonômicas - que sujeitam o corpo humano a risco de lesão grave por esforços repetitivos, uso de força, posições ou movimentos que forçam ossos, articulações e músculos de forma antinatural - conduzem a adoecimentos crônicos que podem incapacitar o trabalhador para qualquer atividade, inclusive em sua vida pessoal. As duas empresas acataram as determinações e solucionaram os problemas, removendo as causas das interdições em menos de uma semana.
Força-tarefa
    
 A força-tarefa teve participação de 21 integrantes. Pelo MPT, estiveram os procuradores do Trabalho Rogério Uzun Fleischmann (procurador-chefe adjunto), Ricardo Garcia (coordenador estadual do Projeto de Adequação das Condições de Trabalho nos Frigoríficos, lotado em Caxias do Sul), Juliana Bortoncello Ferreira (lotada em Novo Hamburgo e com abrangência em São Sebastião do Caí) e Enéria Thomazini (lotada em Santa Cruz do Sul). Pelo MTE, participaram os auditores-fiscais do Trabalho Mauro Marques Müller (coordenador estadual do Projeto Frigoríficos do MTE) e Marlon Martins (lotados em Passo Fundo) e Ricardo Luis Brand (lotado em Caxias do Sul). O grupo foi assessoro pela fisioterapeuta Carine Taís Guagnini Benedet (de Caxias do Sul) e pelo engenheiro de segurança do Trabalho Glenio Pinós Teixeira (de Erechim).


    A ação também foi acompanhada pelo movimento sindical. Estiveram presentes o dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins para a região Sul (CNTA-Sul), Darci Pires da Rocha; o presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Rio Grande do Sul (FTIA/RS), Valdemir Corrêa; e integrantes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação (STIA) de São Sebastião do Caí: Altair da Câmara Nunes, Adalberto Alexandre Machado e Mauri Coelho.
    Pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) Canoas-Vale dos Sinos, formado há um ano, estiveram a coordenadora Marta Boeck, o enfermeiro do Trabalho Cleber Brandão, a técnica em enfermagem Jéssica Lais Costa Pedroso e o agente de fiscalização Marcelo Barcellos Von Marées. Pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio Grande do Sul (CREA-RS), participaram os supervisores de fiscalização David Grazziotin Rosa (de Porto Alegre) e Alessandra Maria Borges (de Caxias do Sul), além do agente-fiscal Everaldo João Daronco (de Panambi). O programa televisivo Trabalho Legal, produzido pelo MPT e veiculado aos sábados, às 22h, pela TV Justiça, foi gravado no local pelos jornalistas Marcela Buzelin (editora-chefe e apresentadora) e Ailton Maximino (repórter cinematográfico) e será exibido nas próximas semanas.
Avaliações
    
O Projeto do MPT visa a redução das doenças profissionais e do trabalho, identificando os problemas e adotando medidas extrajudiciais e/ou judiciais. Para o procurador Ricardo Garcia, "a causa principal dos problemas encontrados na Agrosul é, mais uma vez, a falta de gestão de risco. A empresa negligencia o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) e a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), e os programas de prevenção são meramente formais. Há total desconhecimento por parte dos profissionais e dos trabalhadores sobre os riscos e agravos sofridos pelos empregados. E o ambiente de trabalho se caracteriza, também, pelo medo de punições e despedidas por justa causa, o que é indício de que pode estar havendo a prática de assédio moral, o que será objeto de investigação mais profunda por parte do MPT".
Sindicalistas
    
O dirigente da CNTA-Sul, Darci Rocha, avaliou como "de suma importância a força-tarefa, porque só através dela as entidades sindicais dos trabalhadores conseguem ter acesso ao chão de fábrica. O MPT e o MTE podem mudar a realidade do setor de frigoríficos, porque os sindicalistas não têm poder de autuação e interdição, ferramentas da força-tarefa. A aplicação e fiscalização da NR 36 é fundamental para a dignidade dos trabalhadores do ramo da alimentação".
    O presidente do STIA, Altair Nunes, enalteceu a força-tarefa, porque ajuda nas atividades do sindicato. "A gente fica só naquela de fazer pesquisas, receber denúncias dos trabalhadores e cobrar da empresa. A gente espera, a partir da força-tarefa, obter melhorias para o setor, como local de trabalho adequado e que aconteçam a quarta e a quinta pausas, conforme prevê a NR-36. A empresa já assinou termo de ajustamento de conduta (TAC) e não está cumprindo". A Agrosul faz três pausas de 10 minutos no próprio ambiente de trabalho, quando o mínimo são cinco pausas de 10 minutos em ambiente diferente e salúbre.
Parceiros
    
Conforme o Cerest, "o trabalho conjunto foi fundamental para a definição  de ações na área da saúde do trabalhador. Ao efetivar uma inspeção nas áreas produtivas, estando ao lado do trabalhador e observando a sua rotina, pode se fazer - de fato - um levantamento e aprimorar sobremaneira os processos de segurança. Os acidentes com trabalhadores que atuam em frigoríficos são preocupantes e os números apresentados são alarmantes. Para o Cerest, de abrangência regional, é preciso discutir, principalmente, as condições de segurança destes trabalhadores, exigir o cumprimento da Norma Regulamentadora (NR) e lutar pela redução da jornada de trabalho, a fim de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. As doenças ocupacionais, subnotificadas ou não notificadas, são outro fator importante para investigação do Cerest. A realidade é infinitamente maior do que aparece nos dados: os trabalhadores que atuam em frigoríficos adoecem pelas condições extenuantes no trabalho e o custo social é muito alto. Mas esses números não aparecem, o que dificulta o trabalho de prevenção". 
    No ambiente de trabalho, na avaliação do Cerest, há sobrecarga aos trabalhadores da Agrosul no que se refere ao ritmo na nória transportadora que, ao imprimir maior velocidade, acumula produtos na esteira, ocasionando pressão e cobrança dos supervisores. Essa pressão diária envolvendo metas a serem cumpridas afeta a integridade física e emocional dos trabalhadores, com grande incidência de problemas osteomusculares, somados aos problemas psicológicos. Há relatos de distúrbios do sono, sentimentos de desistência, ímpetos agressivos e revolta. As dores nos braços, pernas e coluna são as queixas de maior incidência. A utilização dos membros superiores em movimentos repetitivos, com utilização de facas e em um ritmo de cadência constante, elevam o risco de acidentes graves. O Cerest observou que a faixa etária dos trabalhadores é muito jovem, de 22 a 30 anos, com relato de afastamento nos primeiros três meses de trabalho. Para a saúde mental, o ambiente é totalmente hostil, com privação total da criatividade e de qualquer potencialidade individual. O indivíduo está inserido na automação e passa a ser parte dela. O objetivo do Cerest é a análise desses riscos para propor melhorias nas condições de trabalho. Como os distúrbios estão relacionados sobremaneira ao ritmo de trabalho, os programas de prevenção precisam ser priorizados. A equipe do Cerest teve "percepção de temor, opressão pela insegurança, medo de ser despedido, caso faça algum relato, e dificuldade de aproximação com os trabalhadores".
   
 Para os agentes-fiscais do CREA, "esta ação integrada de fiscalização na Agrosul, se torna um 'case de fiscalização' em frigoríficos e afins, em função do aprofundamento que pôde ser feito na fiscalização e análise das atividades e documentos, verificando a efetiva participação técnica de empresas e profissionais habilitados (através do registro da Anotação de Responsabilidade Técnica - ART), face aos serviços e atividades de manutenções e instalações(prediais,equipamentos, máquinas, caldeiras e vasos de pressão), laudos técnicos, inspeções e licenças, no devido cumprimento da Lei Federal 5.194/66". O CREA solicitou para a Agrosul a apresentação de documentos indicando quem é o responsável técnico pela manuteção das máquinas, do plano de prevenção contra incêndio (PPCI), do quadro técnico da empresa com a respectiva descrição sumária das atividades desenvolvidas. O prazo concedido foi de dez dias. Em caso de descumprimento, o CREA comunicará ao MPT.
Empregados
   
 Ao saberem da presença da força-tarefa, alguns trabalhadores aguardaram, no início da manhã do segundo dia, a chegada da equipe no pátio da fábrica para relatar irregularidades cometidas pela indústria. Em depoimentos tomados pela procuradora Enéria, afirmaram ter dificuldades em obter atendimento médico e aceitação de atestados. Também informaram que o trabalho é em ritmo intenso com jornada extenuante. A gestante Jéssica Letícia Rambo, 19 anos, disse ter sido despedida por justa causa, com seis meses de gravidez, porque precisou se ausentar por nove dias, devido a adoecimento. Ao retornar, a empresa não aceitou o atestado e a dispensou por abandono de emprego. Já a funcionária Cristiane de Oliveira Rodrigues, 22 anos, que está de licença médica, procurou o médico da empresa, mas não conseguiu ser atendida, tendo que procurar atendimento no hospital. Mesmo com atestado, que foi entregue em 11 de junho, a supervisora a mandou trabalhar. Também garantiu que foi trocada de setor sem justificativa da empresa. O funcionário Marcos Romano da Rocha, que concedeu entrevista na tarde anterior ao programa Trabalho Legal, comunicou à força-tarefa que acabara de ser despedido.


Texto, fotos e vídeos: Flávio Wornicov Portela (reg. prof. MTE/RS 6132) enviado especial
Publicação no site do MPT: 12/6/2014